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© Editora Solis Ltda.(cid:3)2007(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)
Primeira edição em português:(cid:3)agosto de 2007(cid:3)
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Editora:(cid:3)Jussara Chaves Garcez Leme(cid:3)(cid:3)(cid:3)(cid:3)
Revisão:(cid:3)Joara Chaves
Editoração eletrônica:(cid:3)Studio Camera Tre
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro,SP,Brasil)
Nimzovitsch,Aaron,1886-1935.
Meu Sistema / Aaron Nimzovitsch ;tradução de
Francisco de Assis Garcez Leme -- 1.ed.--
Santana de Parnaíba, SP :Editora Solis, 2007.
Título original:Mein System
ISBN 978-85-98628-08-0
1.Xadrez 2.Xadrez - Estudo e ensino
I. Título
07-6418 CDD-794.107
Índices para catálogo sistemático:
1. Xadrez : Estudo e ensino 794.107
ISBN:(cid:3)9788598628080
As fotografias e ilustrações incluídas neste livro procedem dos arquivos da Editora Solis.
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, armazenada ou transmitida em qualquer forma, nem(cid:3)
por qualquer meio, seja eletrônico, químico, mecânico, ótico, de gravação ou de fotocópia, sem autorização prévia(cid:3)
e por escrito dos detentores dos direitos da presente edição em língua portuguesa.(cid:3)
A infração dos direitos do tradutor e da editora pode constituir crime.
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Apresentação da edição brasileira
As bases científicas do jogo de xadrez foram desenvolvidas por Wilhelm
Steinitz (1836-1900), considerado o primeiro campeão mundial de xadrez
após sua vitória sobre Johann Zukertort no match disputado em 1886.
Steinitz, um ferrenho seguidor do método científico, foi o primeiro a
estabelecer os princípios gerais da estratégia, dividindo a posição de uma
partida de xadrez em seus elementos e captando os seus fatores e fases mais
importantes. Suas descobertas significaram uma revolução conceitual no
jogo de xadrez, a qual inaugurou a Escola Clássica, que sucedeu a era
romântica dos primórdios do jogo, marcada desde o Século XVII pelos
geniais Philidor, La Bourdonnais, Staunton, Anderssen, Morphy e vários
outros jogadores.
O primeiro jogador a compreender corretamente as idéias
revolucionárias do grande Steinitz e a difundir seus ensinamentos à legião
de jogadores foi o Dr. Siegbert Tarrasch (1862-1934), nascido em Breslau,
na Alemanha, e que se transformou através dessa difusão em mentor
intelectual de mais de uma geração de mestres. Tarrasch, apelidado “o
professor da Alemanha”, possibilitou assim o surgimento no primeiro
quarto do Século XX de jogadores como Rubinstein, Alekhine e os
“hipermodernistas” (também chamados de “neo-românticos” no início de uma
nova revolução iniciada por Nimzovitsch na década seguinte ao ano de
1910).
Esse pequeno resumo histórico é importante para a contextualização do
presente livro, editado pela primeira vez no idioma alemão em 1925, cuja
publicação consolidou os resultados de um longo debate de idéias sobre a
abordagem do jogo de xadrez pós-Steinitz.Ao longo de Meu Sistemao leitor
encontrará as bases de uma nova revolução na estratégia do jogo de xadrez,
cujos resultados repercutem até os nossos dias.
Sob a influência da série de empates registrada em Havana em 1921 na
disputa pelo título mundial entre Lasker e Capablanca, ambos jogadores
iniciaram a discussão sobre a “morte pelo empate” do jogo de xadrez. “O
jogo de xadrez está se aproximando da perfeição”, escreveu Lasker.
“Atualmente muito é sabido e por isso não é necessária a intuição, como
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nós os mestres mais antigos estávamos acostumados desde os dias da nossa
juventude. Por mais triste que seja, o conhecimento traz a morte”. E mais
tarde completou: “A hora fatal desse jogo se aproxima. Em sua forma
moderna, esse jogo em breve morrerá a morte dos empates, a inevitável
vitória da certeza e da mecanização dos conhecimentos sobre a intuição.
Então novas regras terão que ser inventadas”. Capablanca pensava de
forma parecida e em 1929 chegou a propor uma variação do jogo para um
tabuleiro com 192 casas, protagonizando até uma interminável exibição
com Maróczy, levando ao conhecido gracejo de Alekhine de que “esses
projetos sempre são liderados por jogadores que perderam o campeonato
mundial...”.
Na verdade, os temores de Lasker e de Capablanca significavam uma
clara ilustração da limitação do conhecimento humano.Na pequena ilha de
conhecimento enxadrístico na qual evoluíram a um nível técnico sem
precedentes, parecia-lhes que não havia mais por onde crescer. Com o
passar dos anos perceberam que o território do xadrez é muitíssimo mais
vasto e que eles, como de resto todos os jogadores de qualquer época,
estavam muito longe de esgotar as possibilidades do jogo.Um grande papel
nessa percepção foi desempenhado pela Escola Hipermoderna, uma nova
e revolucionária tendência do pensamento enxadrístico. O pai dessa nova
escola foi Nimzovitsch, os seus pilares, Réti e Breyer e os seus grandes
apoiadores e divulgadores Alekhine,Bogoljubov,Tartakower,Grünfeld....e
tantos outros jogadores ao longo de quase um século, os quais trouxeram
essa revolução do pensamento enxadrístico iniciada por Steinitz até os
nossos dias.
Aaron Nimzovitsch, autor entre outros livros de Meu Sistema, nasceu em
Riga em 1886 e morreu vítima de pneumonia aos 48 anos,no ano de 1935,
em Copenhagen. Através de seus estudos, refinou e expandiu
substancialmente os princípios de Steinitz ao colocar em prática várias
idéias verdadeiramente revolucionárias. Seu famoso e provocativo artigo
“‘A Partida Moderna de Xadrez’ do Dr. Tarrasch tem um conteúdo realmente
moderno?”, publicado em 1913 e apresentado na íntegra ao final deste livro,
foi o estopim de uma nova revolução.O antagonismo com o difusor inicial
das idéias de Steinitz, o Dr. Tarrasch, se transformou em um debate
intelectual sobre a teoria do jogo em nível jamais visto na história do
xadrez. Convém lembrar que Tarrasch e seus seguidores davam um valor
muito grande à ocupação central com os peões na abertura. Nimzovitsch e
os demais próceres da escola hipermoderna sustentavam o domínio central
à distância, considerando os movimentos de peões na abertura como
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necessárias perdas de tempos.
“Com sua habilidade em imaginar esquemas profundos e originais, Nimzovitsch
estava muito à frente do seu tempo e a sua contribuição para a teoria do jogo posicional
foi enorme. Seu livro ‘Meu Sistema’ tornou-se um manual de valor inestimável para
muitas gerações de jogadores (Petrosian, por exemplo, cresceu através dele!). Sua polêmica
com Tarrasch aumentou os limites da nossa compreensão do xadrez. Como escreveu
Lasker, ‘a nova escola deveria unir e sintetizar aquelas que foram personalizadas nas
figuras antagônicas de Steinitz e Chigorin’. Acredito que a histórica disputa entre esses
dois titãs do pensamento enxadrístico foi vencida por Nimzovitsch: a popularidade de
sua defesa excedeu e muito a de Tarrasch. Uma vitória da flexibilidade”. (Garry
Kasparov em Meus Grandes Predecessores – Volume 1, Ed. Solis, 2004,
fonte de diversos trechos desta apresentação).
Este livro é fundamental para a compreensão estratégica e evolução
prática no jogo de xadrez. É um livro de estudo obrigatório para todos os
jogadores que querem evoluir em competições e torneios, sendo bastante
recomendado para adoção em escolas onde esse jogo é ensinado. Também
é um livro necessário para as pessoas que queiram compreender uma
partida de xadrez jogada em alto nível entre jogadores de elite. Por essa
razão, é um livro muito útil para os simples entusiastas desse esporte,
dentre os quais me incluo.
A Editora Solis orgulha-se em publicar esse grande clássico da literatura
enxadrística universal pela primeira vez na língua portuguesa. Esperamos
que a leitura do mesmo em nosso idioma seja motivo de prazer e facilite o
estudo e o progresso enxadrístico de jogadores do Brasil e dos demais
países de língua portuguesa.
Francisco Garcez Leme
Julho de 2007
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Prólogo
Em geral não gosto de escrever prólogos ou introduções,mas nesse caso
julgo necessário, pois em se tratando de matéria nova resultará uma
introdução que poderá favorecer a sua leitura.
Meu novo sistema não surgiu do nada, por geração espontânea, mas de
forma progressiva e,de certo modo,orgânica.A idéia central ou motriz era
a de passar em revista a todos e cada um dos elementos estratégicos do
xadrez e analisá-los em profundidade, sem levar em conta a intuição. De
pouco serviria, por exemplo, dizer ao leitor que as colunas abertas devem
ser ocupadas e aproveitadas, ou que um jogador que enfrenta um peão
passado deverá freá-lo. Um tema dessa amplitude exige que se detenha nos
detalhes e circunstâncias. Embora possa parecer cômico, para mim, caros
leitores, o peão passado tem alma e, assim como os homens, possui
aspirações que habitam seu interior e temores de cuja existência apenas
suspeita. Isso se estende à cadeia de peões e aos demais elementos
estratégicos. Sobre cada um desses elementos darei uma série de princípios
e regras, para estudá-los em detalhes e assim poder esclarecer a forma em
que os acontecimentos se encadeiam nas 64 casas do nosso querido
tabuleiro.
Na segunda parte do livro trataremos do jogo posicional, com especial
atenção ao aspecto neo-romântico (hipermoderno, de Hipermodernismo, como é
mais conhecida essa escola. N. do T.). Como muitas vezes se disse que sou o pai
dessa escola, não deixa de ser interessante conhecer as formulações nas
quais se baseia.
Os livros de xadrez muitas vezes são áridos, pois carecem por completo
de senso de humor. Seguramente seus autores pensam que o tom
humorístico retiraria valor do conteúdo, que pode resultar menos
pedagógico nesse caso.Essa concepção me parece totalmente errônea,uma
vez que com o humor pode-se sublinhar a maior das verdades. Confesso,
por exemplo, que creio nas verdades da vida cotidiana, de onde me agrada
utilizar os fatos para, comparativamente, esclarecer algumas facetas
complicadas do xadrez.
Às vezes preparei esquemas comentados, de forma que possam ressaltar
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a estrutura das idéias. Fiz isso por convicção pessoal e por razões
pedagógicas, para assentar os fundamentos, pois caso contrário qualquer
crítico medíocre – dos tantos que existem! – poderia dizer que os detalhes
isolados não representam um todo, que é o autêntico objetivo desse livro.
Os detalhes dos diferentes temas tratados na primeira parte aparentam ser
simples, e esse é justamente o mérito do livro. Ter conduzido o caos a uma
série de regras orgânicas, que guardam entre si uma relação de causas é
precisamente o mérito da obra. Muito simples, por exemplo, parecem ser
os casos especiais das sétima e oitava fileiras,porém foi muito difícil extrair
do material caótico existente esses cinco exemplos.O mesmo se pode dizer
das colunas abertas e da cadeia de peões. Naturalmente, à medida que se
avança o texto,aumenta a dificuldade,pois o livro está concebido em forma
progressiva. De toda forma, não me utilizarei dessas dificuldades para
defender-me de críticos superficiais. Suponho também que serei criticado
por citar partidas jogadas por mim,porém isso não me importa.Não tenho
o direito, por acaso, de ilustrar o meu sistema com as minhas próprias
partidas? Devo dizer também que inclui algumas partidas de amadores,
porém o leitor não deve ter receio, pois essas partidas são bem jogadas.
Ao submeter esse livro ao julgamento do público, o faço com a
consciência tranqüila, pois nele coloquei todos os meus conhecimentos.
Minha obra tem os seus defeitos, porque é impossível investigar todos os
rincões da estratégia, porém estou certo de ter escrito o primeiro livro de
verdadeiro ensino do jogo de xadrez e não somente um tratado de
aberturas.
A. Nimzovitsch
Agosto de 1925
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