Table Of ContentREFCIPLM
Verso & Reverso
PEDRO SIMON
Governador do Estado
CARLOS JORGE APPEL
Secretário Executivo
Conselho Estadual de Desenvolvimento Cultural
REGINA ZILBERMAN
Diretora do Instituto Estadual do Livro
GERIIARD JACOB
Reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
WALDOMIRO C. MANFROI
Pró-Reltor de Extensão
SERGIUS GONZAGA
Diretor da Editora da Universidade
MARIA HELENA BERED -
Diretora do Museu Universitário
SANDRA JATAIIY PESAVENTO
Coordenadora do Projeto de Recuperação do Acervo
KEPQPLIOI
\^so&Reverso
|SluSnlil«b 1™fâSã
^ itT.do Livre
Porto Alegre
19fi9
Pesquisae textos
SandraJatahy Pesavento(coord.)
Artur Wilkoszynskí
Cláudia Mauch
EvangeliaAravanls
Jorge Alberto Barcellos
Jorge Luísdo Nascimento
LídiaGeorg
Lígia Ketzer Fagundes
üzete Kummer
Mana AntonietaGorostidi Bonow
ManaStephanou
Naira Vasconcellos
NelsonSottili
Pedro Dano Lahirihoy
Wanderlei deSouzaGomesJúnior
Reproduçõesfotográficas
Joselito LuizAraújo
Museu Universitário, Universidade Federaldo Rio GrandedoSul
Editoração
Vera Regina Morganti
institutoEstadualdoLivro,ConselhoEstadualdeDesenvolvimentoCultural
Capa, trabalhosobrea gravura "Alegoriaà República"
LeonardoMenna BarretoGomes
Planejamentoe execuçãográfica
Companhia Rio-grandensede Artes Gráficas
Revisão
Tania ReginaO Vemet
InstitutoEstadualdoLivro,ConselhoEstadualdeDesenvolvimentoCultural.
REPÚBLICA: verso e reverso.
/jDorSandraJatahyPesavento,coord.
et alii. — Porto Alegre; lEL;
Ed. da Universidade/UFRGS, 1989.
Ió4p. :il
CDU981
Catalogaçãoelaborada por
VeraManaPorcelloMarroneCRBIfVBBR
Instituto Estadualdo Livro
RuaFlorêncio Ygartua, 359- Fone: (0512)32.3603 - 90.410 - Porto Alegre- RS
1SBN-85-70Ò3-057-3
Sumário
Apresentação 7
Qual República? 11
A República castilhista:
o autoritarismo ilustrado 19
O povo das ruas:
o outro lado da História. 29
A República do progresso:
trabalho livre, máquinas e riqueza. 37
O progresso na ordem:
as condições de trabalho. 51
O espetáculo da cidade:
assimetria social e ocupação do espaço. 59
Cidadania em questão:
"Zé Povinho" reclama e exige. 71
Os perigos da cidade:
"Ó da polícia" 83
Os desviantes da cidade:
as ameaças à moral e aos bons costumes. 93
A educação do povo e das elites:
a distinção dos saberes. 105
As opções de lazer:
ricos e pobres se divertem. 113
Novidades da época:
a magia de um novo témpo. 129
A vida privada:
homem e mulher, criança e casamento. 139
Uma janela para o mundo:
a exposição do novo século. 153
Apresentação
REPUBLICA VERSO & REVERSO
Mais que uma mudança político-institiicio-
uaiassiualaudo a substituição de um regimepor
outro, a proclamação da Repúblicafoi uma das
formas de realização e exteriorização doproces
so de revolução burguesa ocorrido no País.
Entende-se esseprocesso como um conjunto am
plo de transformações, ao mesmo tempo sócio-
econômicas. polftico-institucionais. culturais-
ideológicas. queprogressivamenteassentaram no
Brasil um sistema capitalista e unia ordem bur
guesa. Tardio, perverso. íupiniquim talvez, con
tudo umaforma históricaprópria de vivência do
capitalismo.
Mostra-se interessante destacar, pois. neste
momento em que o regime republicano completa
um século de vigência, ofato de a representação
da República vir associada a valores e conceitos
da nova ordem, de tipo burguês, que se instala
va. República, nesse sentido, tornou-se sinônimo
deprogresso, civilização, democracia, sociedade
civilizada. Defendida por elementos representa
tivosda vanguarda econômicado País — uma ca
mada burguesaagrária interessada na moderni
zação —, por segmentos intelectualizados das
classes médias urbanasepelaoficialidadepositi
vista do Exército, a Repúblicafoi entendida co
moa resposta, a nívelpolítico, aosproblemas não
resolvidos da nação.
A mudança de regimefoi transformada em
condição de ingresso do País na modernidade.
Não maisanomalianocontinenteamericanopor
permaneceratéentão monárquicoe escravista, o
Brasil, com a República, habilitava-se a partici
pardos caminhos doprogresso e daprosperida
de, dapaze do aperfeiçoamento tecnológico, da
segurança e dos avançospolíticos.
Pode-sequestionar, écerto, seessasexpecta
tivasforam concretizadasaolongodoscemanos
deexistênciadaRepública brasileira; ou medira
distância entreo discurso e aspromessasformu
ladaspeloregimetriunfattteeaspráticasdospo
líticosque olideraram. Éinegável, contudo, que
o Brasilvivenciouseuprocesso internodeconsti
tuição do capitalismosob o influxo daquelas re
presentaçõesmentais. Interno, porque, desdeseu
nascedouro histórico, o Brasil, região destinada
à exportaçãoexclusivamente,jãsevincularaa um
mercado e a um sistema capitalista em constru
ção. Tratava-seagoradeinternalizarformas ca
pitalistasdeproduçãoassociadasao trabalho li
vre e assalariado, ao uso da tecnologia nas em
presascom infra-estruturamaterialadequadaaos
transportesefornecimentodeenergia, aosistema
financeiro com a urbanização crescente.
Nestecontexto, a elitedirigentepassoua de
fender o novo regime como o mais apto a levar
o Paísa modernizar-seea equiparar-seàsnações
mais avançadas do mundo. Trabalho livre, má
quinas, imigração, ampliaçãodo voto(não mais
censitário), igualdadeperantea lei, urbanização,
estradas, portos e viasférreas, barcos e compa
nhias de seguros, obras de saneamento e ilumi
nação das cidades— todosesses consistiram ele
mentos de um processo de modernização viven-
ciadonoBrasilequeseapresentavaassociadoao
regime republicano.
Se estagamadetransformaçõesconstituium
dadoda realidadeobjetivado Brasilnofinciesiè-
cle, portanto, tão concretoquanto o eventohistó
ricodaproclamaçãoda República, lideradopelo
ao Marechal Deodoro da Fonseca, diferentes e
multifacetadas são as maneiras de percebê-la e
experimentá-la. Comefeito, constatam-sediversos
olhares e modos de sentir, entender e descrever
aquela realidade, na sua mutabilidade.
Paraa burguesiaqueendossaa causa repu
blicana, trabalho livre, igualdadeperantea leie
cidadania erampalavrasdeordem; paraa clas
setrabalhadoradascidades, a repúblicapodiaser
essa, mas, simultaneamente, ela apresentava al
gumaspeculiaridades.
O novo regime, ciueseerguerano bojodalen
ta constituiçãode uma ordem urbano-indiistrial,